O Rinoceronte – Eugène Ionesco (Resenha)

Caro leitor, qual seria a sua reação se tu visse um rinoceronte no meio da cidade, enquanto conversa com um amigo? Um absurdo bem selvagem, correto? É justamente isso que os personagens principais Bérenger e Jean presenciam essa loucura no teatro O Rinoceronte, do escritor romeno radicado na França Eugène Ionesco, um dos pais do Teatro do Absurdo.

Eugène Ionesco

Por se tratar de um teatro, a narrativa é diferente de uma prosa, mas isso não limita de forma alguma a caracterização das personagens; cada pessoa presente na obra tem a sua alma, os seus sentimentos, ainda que em certas partes eles acabem dizendo e sentindo a mesma ao mesmo tempo, onde Ionesco utiliza essa repetição para fazer várias sacadas humorísticas ao passar da história; todavia, o que é apresentado tirará o sorriso de qualquer leitor (ou espectador).

A cada dia que se passa, é possível notar que a polarização social ganha novas formas, absorvendo inúmeras pessoas na narrativa que os acontecimentos acabam lapidando, podendo ter sido refinado de tal forma com algum intuito específico (político, econômico, et cetera), ou por simples senso comum que é desenvolvido justamente com o que o indivíduo convive e presencia. Vamos usar a própria Amazônia, por exemplo! Quantas pessoas que, do nada, levantaram bandeiras e críticas à queimada – que, infelizmente, continua a ocorrer -, sendo que antes eles faziam coisas que também prejudicam não apenas a natureza, mas também ao próximo, como jogar lixo na rua? O importante para a interação social na vida moderna conta com a arte do ato, a reprodução do que seria “belo e correto”, pois trás para a mente coletiva sensações de estarem protegendo as suas crenças e os seus valores. Temo dizer que as sensações e sentimentos podem cegar de tal forma um homem que ele não verá as chamas causadas pela doença que ele mesmo criou, e quando vê, a considerará apenas um passo para a “evolução”!

A situação que descrevi em cima sobre a sensações é justamente sobre isso que o teatro retrata: com o início de uma epidemia que transforma uma pessoa normal em um rinoceronte, muitos personagens que Bérenger conhecia acaba não querendo combater a epidemia para proteger a humanidade, mas sim abraçar essa doença, considerando-a como uma evolução que trará não apenas algo melhor que a moral (“a Natureza”), mas uma ordem que afagará os problemas existentes.

Essa coletivização de consciência que é descrito no teatro ocorreu (e continua a ocorrer com outros tipos de doenças!) causou uma tamanha destruição que a única coisa que se foi possível “evoluir” foi na área de desumanização; o autoritarismo transforma as pessoas em rinocerontes.

Curto, mas vanguardista, o livro é um remédio que fará o leitor aprender uma lição: a vida é o Absurdo que usa roupas.

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O Otimismo do Trabalhador

 

O ar entra e sai dos meus pulmões desenfreadamente,

Enquanto os meus braços apodrece ao ponto de desenvolver uma medula;

A Voz Final ainda não deu o ar de graça com as suas escapulidas nos ésses da vida.

 

Câimbra acerta em cheio a mente,

E a hambre canta sobre as pernas;

A Voz Final ainda não deu-me satisfações.

 

O doce torna-se amargo,

E as nuvens se tornam pó;

A Voz Final não se pronunciou.

 

O sentido morreu,

E a vontade de tentar fazer uma rima sequer

Continua a andar juntamente com a minha esperança de que a Voz Final fale algo.

 

Eis o fim?

Eis trágico me acertando com todo o seu esplendor?

Ou será que é a minha boca que tenta soltar o seu bafo,

Mas acaba sendo sufocado pela própria nhaca que reside dentro da minha pessoa?

 

“Caro mundo, eu cesso de andar, mas não de caminhar. Espero que compreenda e aceitem as minhas desculpas pelo ar frio da minha alma. Tenham uma boa noite.”

Eis finalmente a Voz Final!…


 

Tento fechar os olhos;

Nada.

 

Exclamo por uns ferrolhos;

Nada.

 

Pego e enforco o travesseiro;

Nada.

 

Lembro-me do seu sorriso;

Me recordo de que tudo tem validade.

 

Sinto os seus olhos me observando;

Ouço os teus sussurros de algum lugar…

 

Olho para um boneco medieval que eu ganhei oito anos atrás,

Onde se encontra convenientemente deitado;

“Eu não posso sumir,

Apenas descansar…”

 

Zzzzzzzzzzzz…….


 

As dores continuam,

O medo ainda persegue a minha mente,

E a minha boca só atenuam

Poucas palavras,

Mas estou crente

De que todo o meu esforço lavra

A riqueza desse vasto mundo.

 

E agora, cara Voz Final,

Onde está a sua magnâmica aura que enfeita

O seu timbre?

A Morte Materialista – Resenha: A Morte de Rimbaud

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A França tem um acervo vasto no campo da literatura, tendo escritores como Rimbaud, Voltaire e Aragon demonstrando uma técnica que ainda faz muitos leitores baterem palmas para a técnica e originalidade existente nas obras deles; o Konder, um escritor e teórico de esquerda, com toda certeza faz partes dos leitores que demonstra tanto amor à literatura francesa, tanto que ele fez uma homenagem aos escritores no seu livro A Morte de Rimbaud, lançado na editora Companhia das Letras. Será que, no entanto, os homenageados gostaram dessa obra? O Aragon deve ter gostado um pouco, suponho…

O livro conta a história do segurança Sdruws que virou um investigador a mando do seu chefe, o milionário Bergotte – um homem muito extragavante, tento o projeto anges (anjos) como forma de financiar cinco escritores para incentivá-los: Cláudio Nicodemo da Silva, o Claudel (convêm do nome Claúdio); Mauro Teodoro dos Santos Oliveira, o Malraux (convêm do nome Mauro); José Tibúrcio Golçalves Aragão, o Aragon (convêm do nome Aragão); João Carlos Suslov, o Rousseau (convêm do apelido dele, “Russo”); e Severino Cavalcante, o Rimbaud (também convêm do apelido dele, “Rambo” -, para investigar a morte do Rimbaud, que sofreu uma fratura no crânio quando caiu do seu bangalô – todos os escritores tem o seu próprio bangalô e todos eles se localiza em Guariroba. Com a ajuda de alguns personagens, como o Saint-Ex, um funcionário do mecenas Bergotte, da Rosinha, a lavandeira, e da dra. Drica, uma fisioterapeuta, ele investiga a vida dos anjos para tentar descobrir informações que sejam relevantes ao milionário e revelar quem foi o assassino.

Quando vi o livro pela primeira vez, matutei: “hm, ele aparenta ser interessante. Vou comprá-lo depois.” Depois de alguns dias pensando sobre como seria a história, eu o comprei supondo que seria algo parecido ao Hyde, do Daniel Levine – uma reconstrução do clássico O Médico e o Monstro (muito agradável, aliás). Quando fui ler a sinopse (o livro estava colado em um outro, que não lembro qual era, o que me impedia de olhar a sinopse antes de comprá-lo), que consiste:

“Um milionário apaixonado por literatura francesa resolve sustentar cinco escritores que julga muito talentosos. Passa a chamá-los pelo nome de grandes autores franceses: Rimbaud, Aragon, Rousseau, Malraux e Claudel. Oferece-lhes uma polpuda verba mensal e despacha-os anualmente para férias na França. Rimbaud é encontrado morto. Pode ter sido acidente – ou não.”

No início, fiquei um pouco desapontado, já que eu estava esperando que fosse utilizado, de fato, os escritores como personagem, mas reconsiderei: “Bem, pode não ser os próprios escritores, e a sinopse é bem seca, mas talvez a estrutura e a técnica seja bem fundamentadas…” De fato, a estrutura é diferente: cada capítulo (dia) continha a narração nos olhos de vários outros personagens, contando o que ocorreu nesse dia; e a psicologia dos personagens, ou seja, o que eles pensam, quais são os seus sentimentos, é ignorado para dar ênfase nos atos que fazem, como forma de deixar a leitura mais rápida e dinâmica – além de dar toque materialista. É positivo? Temo dizer que não.

A ideia de usar os personagens como narradores é uma boa ideia e já li dois livros que faz a mesma coisa (O Peso do Silêncio, da Gudenkauf, e Todos Contra D@nte, do Luís Dill. São livros medianos, com os seus pontos fortes e pontos fracos), só que nesse livro não é utilizado de forma muito proveitosa: na grande parte dos acontecimentos, o Sdruws está participando no que está sendo narrado diretamente, fazendo o questionar o motivo de ter quase todos os personagens como narradores se eles poderiam ter sido substituídos facilmente por um único narrador – que, ao meu ver, deveria ser o Sdruws. Suponho que, para tentar driblar a falta de aprofundamento em muitos personagens, como o Rousseau, o autor tenta dar a fala para os personagens mais relevantes como forma de dar mais vida para eles; tem um certo efeito desejado, sim, mas ainda assim não deixa de ser decepcionante, pois as falas dos personagens não tem uma característica única, ou seja, muitas falas dos narradores são fracas demais no quesito de personalidade, não existe uma originalidade, deixando existir unicamente a visão do que ocorre com alguns detalhes a mais.

Falando dos personagens, tenho que dizer que o enredo do livro é definitivamente um dos mais fracos que eu já li. Ignorando o fato dos Anjos não se assemelharem com os escritores franceses em questão de personalidade – infelizmente Konder não demonstrou algum trecho de alguma obra desses Anjos, o que teria ajudado na construção da imagem deles -, eles não demonstram ter um espírito de alguma pessoa, em outras palavras, raramente demonstram atos concisos e/ou sentimentais, pois eles, ao meu ver, não estão na história para serem agentes que sofrem com o exterior (natureza, pessoas), mas sim para representar materialisticamente o mundo – para deixar um pouco mais claro, o autor implica que os Anjos foram corrompidos pelo Bergotti por causa do financiamento que ele dava para eles, e não pelos próprios atos e falta de virtude dos escritores; no fim, a culpa de todos os erros cometidos por eles não são deles, mas sim do milionário.

Sdruws, tirando algumas cenas dele que soa um pouco inverossímil, é um bom protagonista: é astuto, forte e age como uma pessoa qualquer (quando ele está enfrentando coisas reais, como uma briga, e não por conveniência política do autor, como no final); a Drica é um pouco excêntrica, mas é uma personagem bem OK, mas o romance entre ela e Sdruws que se desenvolve na história é fraco, já que não há enfaze nos sentimentos e sensações dos personagens nas narrações; já a Rosinha e o Delegado são personagens bem genéricos, mas mal formulados: enquanto a lavandeira tem uma imagem forçada, mas não no ponto de se mostrar irreal, de uma promiscua, mas que tem relevância nos acontecimentos na história, o Delegado é apenas… Um delegado. Nada mais.

Não posso dizer se Konder é um escritor bom ou ruim, mas esse livro, ainda que leve para ler, dificilmente agradará os leitores por causa dos problemas que listei – a não ser que os leitores sejam marxistas que aceita tudo que vem dos simpatizantes dele. Dou meu agradecimento ao escritor por tentar escrever de uma forma diferente, tentando valorizar a fala dos personagens, só que a forma que foi exercida a ideia acabou matando o livro, enquanto a forma superficial que trata a relação das pessoas com o dinheiro serviu para enterrá-lo numa cova bem pequena e ignóbil.

Um Homem sem Coração – Resenha: Um Homem Sem Pátria

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Humor é, certamente, uma poderosíssima arma ao desenvolvimento de críticas e descontração para um leitor, ensinando que a realidade pode ser demonstrada de uma forma mais solta. Um dos primeiros livros com uma dose de humor que tive o prazer de ler foi Como o Soldado Conserta o Gramofone, do bósnio Sasa Stanisic (não se escreve assim o nome dele, mas o meu teclado não me permite escrevê-lo corretamente; vou deixar a capa do livro abaixo desse parágrafo para mostrar a forma correta.), da Editora Record; esse livro faz uma síntese da visão de uma criança com a realidade que ele está presenciando para construir uma prosa bem colorida e detalhada – ainda que eu vejo alguns problemas nele. Nessa resenha, não vou falar do Como o Soldado, e sim de um outro livro chamado Um Homem sem Pátria, do antropólogo e escritor americano Kurt Vonnegut, também da Editora Record.

Antes de falar do que se trata o livro, tenho que fazer um elogio na edição do livro: Imagens e desenhos, feitos pelo autor, foram colocados harmoniosamente com o texto, auxiliando a compreensão do assunto, e fizeram uma tradução do que está escrito nessas imagens, explicando devidamente o uso de alguns termos como “Queen”. Sempre gostei das edições da Record, ainda que algumas sejam simples, mas com certeza essa edição que fizeram é bem memorável.

Agora falando do livro, ele consiste em 12 “microensaios” (termo usado pela Editora), tentando fazer em ordem cronológica da vida dele e de alguns acontecimentos, mas ele sempre acaba fazendo comentários que acabam quebrando a ordem – não que isso seja ruim, pois isso dá mais verossimilhança para o texto, além de deixá-lo bem parecido com uma conversa.

Os microensaios são constituídos por imagens introdutórias e auxiliares (em alguns), deixando a leitura mais dinâmica, e o autor procura fazer irônias e piadas sobre assuntos sérios para tornar a leitura cômica, mas sem deixar de valorizar a necessidade de deixar sucinto a mensagem; infelizmente, as afirmações e piadas que fazem são muito duvidosos (no sentido de que não se sabe se o autor está falando a verdade ou não) e até mesmo feitas de forma leviana, como é o caso em que Vannegut afirma que Marx disse “a religião é o ópio do povo” porque foi justamente o momento que, quando ele escreveu isso, estava usando ópio (mas até que isso explicaria algumas coisas que ele escreveu), e que, por isso, todos os socialismos que se diziam marxistas eram, na verdade, “truístas” (ou, politicamente dizendo, deturpadores). Se Marx usou ópio ou não, não saberei responder, mas posso garantir que ele falou de forma negativa sobre a religião.¹

Compreendo que o leitor possa estar perguntando: “e se o Kurt só afirmou isso como forma de fazer uma piada ou uma hipótese, talvez?“. Se fosse o caso, a afirmação dele poderia ser irrevelante, mas ele usa essa afirmação para, depois, falar “Qual dos dois vocês imaginam que era mais bem visto aos olhos de um Deus misericordioso na época, Karl Marx ou os Estados Unidos da Ámerica?” (pág. 24) Usar uma tese completamente ridícula e falsa para tentar inocentar alguém como Marx (ainda que os EUA estejam longe de serem um país com uma história limpa. Espere… Existe país com história limpa? Polônia, talvez?) destrói a verossimilhança do livro, tornando cada afirmação do autor emaculado num véu, do próprio de leitor, de desconfiança.

Ainda sobre as afirmações do autor, tenho que dizer que é ele BEM pessimista, mas de um nível que passa da linha do compreensível, ao ponto de que se pode chamá-lo de misandrico (olha que ele se denomina Humanista!). Digo isso pois há um desprezo pela humanidade, tratando-a como uma assassina do mundo, e que não há esperanças para a melhora (Réquiem, um poema que ele escreveu no final, é o exemplo mais claro e rápido para comprovar o que digo). Sei que não é muito inteligente ter muita confiança em relação ao futuro, mas ignorar a subjetividade da vontade e considerar que o ato de hoje será o de amanhã é um escárnio ao leitor.

Ele fala sobre a poluição, dos atos e decisões dos EUA e do George Bush, Iraque, bombardeio de Dresden (o autor presenciou esse bombardeiro) mas sempre num tom muito desconstrutivo e/ou pobre, ou seja, não coopera com o leitor para lucidá-lo sobre o assunto, fazendo justamente o contrário. Tem certas partes do livro, principalmente perto do final, que trata o desprezo ao mundo como algo “correto”; é uma encenação de sabedoria que não acaba mais!

O autor, mesmo fazendo afirmações esdrúxulas, faz, ao menos, algumas pontuações interessantes, como, por exemplo, o conceito “O Homem sem Pátria“, que se refere ao indivíduo que abdica dos costumes ou interesses da pátria, seja por discordância, ou por conflito cultural, desenvolvido naturalmente ou socialmente.

Ainda que ele toque sobre alguns assuntos pertinentes e tenha uma escrita decente, ele não sabe abordá-las e utilizá-las de forma limpa e sucinta, causando mais desconforto ao leitor do que algum tipo de contentamento; tenho certeza que não era isso que o autor queria, mas, na forma que aborda nos textos, ele pressupõe uma “superioridade” diante as pessoas, ao tratar o horror da vida (causado não pela imperfeição do ser, que é o que acredito, mas pelo ato do coletivo) como algo permanente. Os dias são escuros, sim, mas ainda existe fogo.

Fontes

1: https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%93pio_do_povo Sim, da wikipédia, mas nele contém outras fontes sobre o assunto.

http://daniela-godoi.blogspot.com.br/2007/11/religio-o-pio-do-povo.html

http://lrsr1.blogspot.com.br/2011/04/karl-marx-religiao-e-o-opio-do-povo.html

Destruição

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*Beep* *Burp* *Buup* *Buup* *Beuup* *Bueup*

*Clinck…*

*Tumb* *Tumb*

*Briak*

*Vurp*

*Beep* *Beep* *Beep*

O som branco

e o som escuro

se abraçam.

É recíproco,

e não-recíproco.

 

A Destruição

fala mais que a boca

expelidora de canções;

reboca a mente,

o corpo,

e a alma.

 

Fatalmente,

o copo d’ água se quebra,

criando uma lágrima

tão vítrea

que parece estar aí à procura de algo.

 

À procura de algo

além dos sons brancos

e dos sons escuros…

*Crash*

 


O Fim

Espaço nenhum

marcará os nossos desejos.

O que uma gota diz “eu vejo”,

não há importância

quando esse “diz”

é apenas um “diz”.

O Fim está aqui

e ela é a nossa mãe.

“Respeito”

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1

Torço o peito,

Apito com o apito,

Faço atrito,

E o tato chora sangue estrangeiro,

Lambuzando o chão e a vista;

A Bandeira se contenta diante ao espetáculo humanitário,

Portanto, também me alegro.

 

2

Nunca pensei que se faz Respeito

marchando por cima de tudo e de todos,

menos do Amor,

afinal,

destruo a vista dos prédios

pelo Amor!

-Se o Amor cega,

não me importo;

dou pés,

se for necessário!

E eu até sei de quem…

 

3

O solo me xinga, me avilta,

Se roendo de raiva,

Mas ele já foi roído

Pelo Respeito.

 

Ah, como é bom

Não ter dúvidas!

Como é bom

Fazer o certo

E apagar o mal

Da face dos homens.

Ou melhor, da face da Ideologia!

-Não preciso de eufemismo por aqui.

 

Como é bom

Vender a alma

Pela justeza do segundo

E pelo esquecimento do minuto!…

A Guerra

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Fonte

-Enquanto espero

o dia nascer,

Experimento o café.

“Próspero.

Próspero gosto que esse café contem.”,

comenta a minha língua, no passo do ranger

dos dentes.

De onde vem o café,

essa semente que dá frutas para os meus braços?

Esse mar escu–_

Esse mar escarlate,

que agora nada na guenza água suja,

late

um ódio sanguíneo; não importe o quanto que eu fareja,

entretanto,

Não detecto nenhuma maldade na alma que vaga nessa cozinha.

Esse homem não tem culpa.

Tampouco eu.

 

Mas alguém é,

E esse alguém não é eu.

 

… Talvez eu seja,

mas eu seria mais culpado

se eu não voltasse para casa.

 

Ser eu é um inferno.

Secessão

As nuvens marcham para o oeste; as ruas, para as caixas; e o desespero, para as ruas, tentando, irrisoriamente, silencia-las. As paredes e o chão choram sangue, enquanto as fotos fracassam em demonstrar o que realmente está acontecendo – isso é, as fotos abraçaram a natureza humana -, e os céus ficam horrorizados pela forma que o caos se transformou.

Ainda assim, as nuvens continuam com a sua marcha; e as ruas, para as caixas, agora com pontos de sangue e de vitória.

E o desespero? Onde jaz ele? Ainda está nesse segundo que queima lentamente, mas não há nenhuma garantia de que ele existe nos próximos segundos.

O futuro é brilhante para aqueles que caçam a ofuscação. Aqueles que tentam cortar as pernas dos caçadores, irão se cortar e acabarão sendo ignorados pelo brilho resplandecedor da honra, se transformando em algo irreconhecível, prostado em um chão um sujo, mas não irrisório.

Enquanto não se chega nesse futuro, as ruas andam em nome da Pátria, alegres, confiantes e imbatíveis, para quebrar as correntes que A escraviza.

Agora, se me permitem escrever alguns versos:

Amor à Pátria,

Aquela com Honra, Cultura Lapidada e Família,

É uma das poucas

coisas deste vasto mundo – que caminhas

Ao lado do passo do Ser –

Que se vale a pena

Respeitá-la e lutar por ela.


Os Cavaleiros das Cinzas apoia todos os movimentos secessionistas que lutam até o fim pelo Justo!

O Sumiço

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— Calma, companheirinho! — Diz o bombeiro. — Os gatos adoram sumir dessa forma, mas eles costumam voltar para casa.

— M-m-*b-b-búuu*as eu quero os meus gatinhos… *hik* — Balbucia a criança.

— Calma, meu filho, o bombeiro está certo; os gatos são libertinos demais. — Diz o pai da criança, de forma sucinta.

— Verdade… Eu queria e muito que eles fossem só nos desenhos.

— E eu queria ser que nem eles. — O bombeiro olha para ele, estranhando. — … Mas eu não vou ficar me lambendo ou ficar sumindo do nada.

— *sigh* — Sacode a cabeça. — Bem, conte-me sobre como era esses gatos.

— Eles— Nesse momento, ele houve um barulho estranho no quintal de sua casa. — Mas o quê—

— Eles! É eles! — Grita a criança, triunfante.

— Hey! Devagar! Tu pode se machucar!… — Fala o bombeiro, um pouco aturdido.

Enquanto os dois adultos vão atrás do garoto, o mesmo vê a sua mochila escolar rasgada no meio do quintal. O estado da mochila é deplorável: os bolsos estão todos arranhados e com uma quantidade imensurável de pelo de gato, indo de cor branco até preto; as alças, idem, só que estão em um ponto que nem se podem chamá-las de alça; os estojos, que estavam 80 cm longe da mochila, estavam vazias, mas estavam em um estado perfeito.

— O que diabos é isso?! — Pergunta o Pai, exaurido diante ao que vê. — Isso tudo custou 1h e 50 minutos de trabalho, e os gatos simplesmente fazem isso?!

— Calma, senhor. — Diz o bombeiro, rindo. — Eles só pintaram os um e cinquenta seus no seu quintal.

— Muito engraçado…

— Tudo bem, falando sério: eles provavelmente fizeram isso para quebrar a monotonia por aqui. Eles não são como nós, que gostamos das coisas no controle.

— Hm… Tem razão… Pode ser isso.

— Ou podem ser apenas um bando de balburdiadores.

— Também.

— Eles vão voltar? — Diz a criança.

— Meu garoto, — Diz o Pai. — qualquer um que quebre com as próprias garras a monotonia, vai ser lembrado pelas pessoas.

— Sim, — diz o bombeiro. — Igualzinho aos dissidentes.

— Dizidentes? — Pergunta a criança.

— Não, diSSidentes. — Fala o bombeiro, na sua imitação de uma cobra. — Eles são lembrados, graças aos cartazes que o corpo de bombeiros e a polícia colocaram na cidade.

— Eles são o quê? — Pergunta, novamente, a criança.

— São pessoas que fazem demasiadas perguntas. — Responde, ríspido.

— Ah… T-tudo bem. — Fala a criança, depois de alguns segundos em silêncio.

— Oh, esqueci de fazer um acréscimo: dissidentes são ttambém pessoas que escrevem o que os outros falam. Senhor, pare com isso.

— Oh. — Diz o pai. — Está certo, perdoe-me. É que eu queria anotar no meu diário…

— É mesmo? — Diz, com desdém, o bombeiro. — Sorte sua que a constituição popular ainda não foi estabelecida por completo. Mas trate de dar o seu diário para a pol– Eu já disse para você interromper as suas “anotações”!

— … Desculpe.

— *gr…* Eu vou embora, até mais. — O bombeiro dá meia volta e entra na casa, dando uma última olhada para o pai. Depois, ele vai para dentro e, em questão de segundos, ouviu-se um barulho de um portão abrindo abruptamente e, em seguida, sendo fechado com força.

O pai, pusilâmico, não conseguiu nem ao menos dar um “até mais” de volta.

— Papai? O que foi isso? Por que ele ficou tão bravo?

— Ele… Era apenas um bicho papão.

— Mas bichos papões não ficam debaixo da cama?

— Corretíssimo! Fico feliz em ver que tu está lendo os seus livros.

— Então por que o chamou ele de bicho papão?

— Bem, — o pai levanta os braços e os ombros, em forma de balança. — porque nós estamos debaixo de uma cama. Bem suja, aliás. Enfim, vamos dormir.

— E os gatos? Vamos dormir sem eles?

— É, pelo visto sim… — O pai olha para o horizonte, pensativo.

— Bem, eu vou tentar dormir, então. Boa noite, papai.

— Boa noite, filho.

Os dois entram na casa, trancam tudo e deixam a escuridão abraça-los com força.


Recado: perdão pela ausência das postagens nos últimos dias.

Decidimos ficar um tempo sem escrever para nos preocuparmos com outras

questões.

Agora, com tudo no lugar, vamos continuar a escrever algumas coisas.

A propaganda “i”mortal

Por August Sinclair

– Crise, fome, ódio, pobreza… Esses problemas afeta o nosso grande pais até hoje, e os nossos representantes fazem nada para resolver! Em detrimento ao povo, os governantes simplesmente fazem vista grossa aos problemas e preferem ficar fazendo favores aos outros. Nós temos que mudar, e o meu partido é a mudança!! Vote—

Propaganda clássica, não? Praticamente todo ano ele aparece; muda o ambiente, mas não a fala, e muito menos a essência.

“Todo produto morre.” Isso é o básico do marketing. Agora, me responde, como pode a Cara de Pau e Heroismo ainda render Inputs e Outputs gigantescos? O tempo parou; a história, idem; o relógio, idem; o indivíduo está vesgo, a fraqueza é a nova força, o Problema virou a solução! A solução!!

“Todo produto morre”, ainda mais quando são pessoas.

Aliás… Se fosse realmente uma propaganda, o que venderiam ou comprariam? Eu respondo:

– Crise, fome, ódio, pobreza… Esses problemas afeta o nosso grande pais até hoje, graças ao fato dos nossos oponentes políticos e seres subversivos serem arrogantes e opressores! Em detrimento ao povo, eles sugam tudo que é deles. Nós vamos mudar!! Nos dê dinheiro para comprar prisões e algemas; soldados e armamentos; apartamentos e glórias! Nos dê o teu voto para conseguir adquirir tua Salvação!